top of page

O que mudou depois de 20 anos do assassinato de Rabin?

  • Karina Stange Calandrin
  • 3 de nov. de 2015
  • 2 min de leitura

No dia 4 de novembro é marcado o 20º aniversário do assassinato de Yitzhak Rabin. Conhecido por ser o primeiro-ministro que deu um passo histórico em direção à paz com os palestinos.


Em setembro de 1993, Rabin assinou os Acordos de Oslo com o líder da OLP (Organização para Libertação da Palestina), Yasser Arafat, com o presidente dos Estados Unidos na época, Bill Clinton, assistindo o famoso aperto de mão no gramado da Casa Branca. Foi um marco importante na definição de um dos conflitos mais relevantes do Oriente Médio, mesmo que controverso gerando a oposição furiosa em ambos os lados.


Mas seu assassinato em um comício pela paz em Tel Aviv, em 4 de novembro de 1995, foi amplamente visto como o fim das esperanças de que o acordo, envolvendo uma retirada israelense dos territórios ocupados e a criação parcial de uma Autoridade palestina, poderia de fato liderar o caminho para uma paz justa e duradoura.


Rabin é lembrado como um soldado, depois de ter expulso os palestinos em massa durante a Guerra de Independência em 1948 e como chefe de gabinete durante a vitória na Guerra dos Seis Dias em 1967, quando Israel ocupou a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza. Mas o pacificador-geral que acabou se tornando foi o primeiro líder político israelense a ser assassinado e, surpreendentemente, por outro judeu; não, como sempre pareceu mais provável, por um árabe.


O 20º aniversário de sua morte está acompanhado por uma conjuntura turbulenta: alta tensão sobre o local do Monte do Templo / Haram al-Sharif, em Jerusalém Oriental e a morte de 50 palestinos e 10 israelenses no último mês. Seja esta uma nova intifada (levante) ou não, ela veio novamente como um lembrete cruel da natureza intratável do conflito e a persistência da ocupação. Em meados da década de 1990, Netanyahu (atual Primeiro-Ministro de Israel), então na oposição e um feroz opositor dos Acordos de Oslo, foi responsabilizado por contribuir para uma atmosfera de incitamento. Grande parte do discurso atual em torno da morte de Rabin é sobre o perigo do extremismo na sociedade israelense.


Muitos são favoráveis ​a um primeiro-ministro mais decisivo do que Netanyahu, sejam quais forem as suas opiniões. "Israel precisa de um líder com o DNA de Rabin, que atuará com fé e determinação para chegar a um acordo", disse Uzi Baram, um ex-ministro do Trabalho. Já os palestinos estão céticos. Em 1987, quando a primeira Intifada irrompeu, Rabin era o Ministro da Defesa, que ameaçou "quebrar os ossos" dos jovens atiradores de pedras que confrontavam a ocupação. "Rabin nunca quis um Estado palestino", insistiu Abdel-Mahdi Hadi do think tank Passia.


Vinte anos depois da morte de Rabin, israelenses e palestinos concordam com pouco. Mas muitos de ambos os lados estão certos de que os Acordos de Oslo estão mortos, ou em seus últimos dias de vida. Nunca saberemos o que teria acontecido se Rabin tivesse vivido mais tempo, mas a esperança que existia há 20 anos nunca pareceu tão distante.


Karina Stange Calandrin é mestranda em Relações Internacionais no Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (UNESP, UNICAMP, PUC-SP) e pesquisadora do GEDES.

Posts recentes

Ver tudo
ERIS No. 2 - Novembro / 2015

Artigos: O que mudou depois de 20 anos do assassinato de Rabin? Karina Stange Calandrin Parlamento armado. José Augusto Zague Os...

 
 
 
Em caso de terrorismo... gatos!

Desde os atentados terroristas de 13 de novembro, em Paris, a Bélgica tem enfrentado uma elevação no nível de alerta em suas cidades. Em...

 
 
 
Destaques
Recentes
Arquivo
Busca por Tags
 

Eris - Defesa e Segurança Internacional

© 2015 por GEDES. 

  • Facebook Clean
  • Twitter Clean
  • Google+ Clean
bottom of page